Entre os dias 13 e 15 de Outubro de 2015, ocorreu no Ministério de Relações Exteriores em Lima, Peru, a 12ª Reunião de Especialistas do MESECVI (Mecanismo de Seguimento da Convenção de Belém do Pará) da OEA – Organização dos Estados Americanos.

O eixo central da reunião seria discutir como os Estados devem enfrentar a questão da violência contra as mulheres. Diante desse tema, participamos, enquanto sociedade civil organizada, buscando incidir positivamente. Contudo, o cenário encontrado foi totalmente diverso daquele adotado habitualmente pela OEA. Textos base construídos sem a contribuição da sociedade, sendo as únicas ONGs que puderam dialogar enquanto sociedade civil: Casa da Mulher, DEMUS, Flora Tristan, PROMSEX, todas declaradamente abortistas.

Declarações como "o fortalecimento da família é um risco de retrocesso, pois a família é o que alimenta a violência contra a mulher" de Silvia Lolis (Peru), "não se trata de gravidez indesejada, se trata de maternidade forçada, não são 09 meses e sim todos os dias do resto de suas vidas. O que os Estados tem feito em relação a isso?" de Suzana Chiarotti (Argentina) e "não acredito que devemos investir nos adultos [para desconstruir a família], nosso trabalho deve ser com os pequeninos de 3, 4 anos." de Silvia Mesa (Costa Rica) foram enfaticamente afirmadas durante o dia.

Diante de exposições como essas, nos sentimos em um ambiente hostil, antidemocrático, pois não houve a possibilidade de nos manifestar e, inclusive, fomos impedidos de continuar assistindo as discussões, sendo que deixamos nossos trabalhos, compromissos, famílias e nos organizamos para participar de todo o encontro.

Como especialistas, questionamos a condução dos trabalhos, bem como afirmações e ideias sem fundamentos.
Se, ao tratar de um tema tão caro a sociedade, que é a violência contra a mulher, ao tentar calar os seus representantes, existe um real interesse pela mulher?
Resta-nos concluir que assistimos a um teatro armado, onde os protagonistas não refletem a realidade de um Estado democrático.

Observatório de Biopolítica

Prof. Felipe Nery

Dra. Isabella Mantovani

Dra. Glauciane Teixeira