Descrever a situação presente é tarefa deveras difícil, sobretudo porque as perspectivas de análise são tão multifacetadas e contraditórias, que a inteligência humana se refuta a render-se, mesmo diante das evidências.

 Portanto, aqui farei apenas uma apreciação panorâmica e geral de alguns fatores que desencadearam alianças insuspeitáveis de forças antagônicas, hoje harmonizadas numa autêntica sinergia pretenciosa, cujo escopo se concentra na reformulação da totalidade da sociedade a partir da desconfiguração daquilo que se foi cristalizando ao longo da história como “família”.

II.

Com as grandes oportunidades de crescimento abertas pela liberdade econômica dos Estados Unidos no final do século XIX, algumas famílias puderam acumular as maiores fortunas jamais vistas na história da humanidade. Tal prosperidade, cada vez mais crescente, aumentava em seu ânimo o profundo anelo de um maior controle do fluxo de capital no mundo. Os banqueiros multimilionários acariciavam o sonho da obtenção da hegemonia sobre toda a economia global.

Evidentemente, tais ambições não podem ser apresentadas assim, cruamente. Precisam, portanto, ser revestidas de um ideal humanitário, sacralizadas por uma missão pseudo-messiânica, ungidas por uma presunção civilizatória. É a construção de um mundo novo o que anseiam, e, ainda mais, o que pensam poder realizar.

É nesse contexto que se conjugaram os primeiros intentos da pretensão de um controle populacional. Para que haja um mundo saneado é necessário, pensam, eliminar o excesso de contingente humano; para eles, multidão é sinônimo de excrescência.

Contudo, não percamos de vista a primeira motivação: o controle financeiro. É, assim, necessário criar hegemonia econômica com uma desculpa utópica. Como fazê-lo?

Efetivamente, os pretendentes de tais aspirações depararam-se imediatamente com uma barreira, tristemente, desgraçadamente superficial, mas que então fora eficaz: o pragmatismo americano. De fato, o povo está mais preocupado em pagar suas contas, ser bem-sucedido em sua profissão, ter conquistas afetivas, “curtir” a vida, pouco se importando com horizontes globais. Para o homem normal, tais utopias não lhe colorem o horizonte, nem o dissuadem da concreção requerida pelos exíguos limites de seu próprio bolso!

Para produzir tal transformação, estas famílias contavam com um oceano de capital, mas não tinham o que lhes seria mais necessário: a anuência popular, a força ideológica oriunda da livre adesão da massa, a convicção que conduz um homem a alterar seus próprios padrões sociais, seu estilo de vida, a pôr-se inteiramente a serviço da causa, entregando tudo, o sangue, a honra, a comodidade, tudo para o sucesso de sua empreitada.

Os olhares da proficiente elite globalista voltaram-se, então, para outra direção, aparentemente contraditória, absurda, inexequível, para a de seus opositores ideológicos, estes, sim, fascinados pelo desejo de reformar o mundo mediante a concentração de poder: seus olhos voltaram-se para os revolucionários socialistas, cuja exasperação lhes conduziria ao fracasso com o decorrer das décadas.

Era daquele elã que necessitavam, desta paixão delirante, do entusiasmo convicto de quem se imagina histericamente reformador da história, que perdeu o senso das proporções, julgando-se efetivamente capaz de jogar no lixo do presente a totalidade do passado para a reformulação de todo o futuro. Todavia, mesmo aí, a impulsividade das intenções precisou render-se à contenção das possibilidades e, mais uma vez, a paciência foi a mãe da perseverança.

III.

Uma das constatações mais peculiares de uma análise realista da história é a de se entender que uma conjunção de fatores, para se simbiotizarem numa mesma direção e colidirem num mesmo propósito nem sempre se movimentam segundo uma intencionalidade planificada. Na história, coincidir é simplesmente co-incidir, e aquilo que, em germe, parecia improvável e até contraditório, no desenrolar dos fatos pode se eclodir num mesmo objetivo.

E, neste aspecto, é inútil objetar tratar-se de uma contradição, pois existem contradições na realidade, e a capacidade humana de harmonizá-las para que se tornem compatíveis talvez seja um dos maiores requintes daquilo que a Escritura chama de mysterium iniquitatis.

O movimento socialista nasceu numa genealogia muito articulada, cujas raízes mais imediatas encontram-se na filosofia de Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), que construiu um sistema filosófico segundo o qual a constituição mesma da realidade seguia uma estrutura dialética. Entendamo-lo brevemente.

Para Hegel, a filosofia é a arte da complexidade, da contradição, pois uma afirmação categórica, para ele, nunca seria apta para explicar a realidade, em si mesmo complexa.

Um conceito fundamental para entender seu pensamento é a noção de “Absoluto”. O “Absoluto” é a totalidade da realidade em seu processo de devir, enquanto Sujeito autopensante e autorrealizante. Este processo de devir se dá segundo uma dinâmica dialética, na qual o Absoluto se realiza evolutivamente enquanto se nega e se afirma sintetizando-se numa nova auto-afirmação auto-negada numa nova auto-síntese.

A dialética, por isso, é entendida como a dinâmica mesma pela qual o “Absoluto” se realiza. Para Hegel, Deus é este “Absoluto”, mas que, ao contrário de ser transcendente em relação à realidade, é a própria substância desta. Este processo de auto-realização dialética do “Absoluto” é aquilo que Hegel chama de história.

Portanto – e é aqui que queria chegar –, a dialética de Hegel é espiritualista. Evidentemente, sua ideia de um Deus imanente que se auto-transcende no cosmos é incompatível com a revelação judaico-cristã, para a qual Deus é transcendente e o cosmos, por Ele criado ex nihilo, existe haurindo permanentemente dEle o ser e a existência

Logo após o desaparecimento de Hegel, seus continuadores se dividiram em duas direções antagônicas, classicamente chamadas de direita e esquerda hegelianas, sendo que esta última ocupa o centro desta análise.

Com efeito, aos poucos, o espiritualismo de Hegel foi sendo transformado por seus presumidos discípulos em panteísmo, passando, sucessivamente, ao naturalismo, degenerando-se, por fim, no materialismo, chegando até o ateísmo.

Ludwig Feuerbach (1804-1872) foi o principal mediador do processo; simplesmente tomou o Absoluto de Hegel e jogou fora seu espiritualismo: em poucas palavras, já que o Absoluto é a totalidade da realidade, logo, bastara-lhe interpretar a realidade como natureza material e, pronto!, o Absoluto se esvaziara! Como afirmava, “o ser é o sujeito, o pensamento é o predicado”; ao contrário de Hegel, o ser é a natureza, não a ideia; a ideia é produto do homem e, portanto, uma projeção sua.

Não é muito difícil perceber que esta degeneração – aliás, ocorrente numa filosofia já degenerada e confusa – é resultado de uma degradação intelectual. Entre Hegel e Feuerbach não se dera apenas um desvio de ideias, mas, sobretudo, de inteligências, e, neste aspecto, o muito estudar e a excessiva erudição podem tornar ainda mais crônico o embotamento, pois, no que tange à sabedoria, o excessivo conteúdo, ainda mais se equivocado, pode ter consequências letais para uma forma mentis deformada.

Este mesmo processo se agravou de modo ainda mais agudo pela filosofia de Karl Marx (1818-1883) que, pelo muito estudar aliado à férrea obstinação numa utopia histórica igualitarista, enxergou na propriedade privada o culpado pela inexistência de um paraíso terrestre, que ele pensava poder produzir com seu igualitarismo econômico, viável apenas pela “insuspeitável” concentração de poder. Nesta primeira fase, Marx entendeu que a revolução consistiria na extinção da propriedade privada, na estatização dos meios de produção e na ditadura do proletariado. A este ponto, para ele, aquilo que chamava de “superestrutura”, ou seja, o universo ideológico, daria espaço ao advento de uma civilização justa.

Entretanto, Marx estudava muito. Dedicou anos à reflexão e a análise. E, como todo aquele que pondera os fatos vai aprimorando com o passar dos tempos sua percepção e vai refinando a qualidade de seus juízos, também ele mudou, adquiriu maior argúcia em seus arrazoados, chegando à consideração de um aspecto que passou inadvertido nos primeiros anos de sua reflexão.

Na obra “Sobre a Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado” –  Der Ursprung der Familie, des Privateigentums und des Staats – , de autoria inacabada de Marx, mas publicada e assinada por Friedrich Engels, chega à conclusão de que a verdadeira causa da desigualdade social é a família. Nesta obra, excogita fantasiosamente uma mirabolante teoria sobre a origem da família. Resumidamente, afirma que os homens primitivos viviam em hordas nas quais havia total liberdade sexual e, portanto, predominava um modelo tendencialmente mais matriarcal, já que se ignoraria a própria procedência paterna. Num determinado momento, os machos, pela força física, exigiram fidelidade das fêmeas, fazendo-as tornarem-se sua propriedade privada, juntamente com seus filhos. A partir de então, construiu-se o conceito de patrimônio (ligado ao pater), do qual decorreu o de matrimônio (no qual a mater é propriedade do macho). Como sustento deste sistema de submissão surgiu o Estado, reconhecedor e garante do mesmo.

Para Marx e Engels, a família é uma instituição endemicamente perversa e precisa ser pulverizada, para que haja a revolução. Notem que Marx percebeu que o seu ideal de igualdade era naturalmente inviável, e a família era uma demonstração disso. No entanto, ao invés de reconhecê-lo, aferrou-se obstinadamente em sua utopia preferindo atribuir à instituição familiar a culpa pela inviabilidade de seu delírio. De fato, uma mente entorpecida pelas próprias elucubrações está disposta a negar os fatos, sobretudo quando desmentem aquelas.

Esta sua conclusão, todavia, permaneceu ignota para a maior parte de seus discípulos, pois, assim como ele estava submerso naquele processo degenerativo que nascera da degenerada filosofia hegeliana, seus continuadores empobreceram-se ainda mais.

De fato, a Rússia não possuía grande tradição filosófica e, por isso, foi nas mãos de Lênin e Stalin que o marxismo deixou de ser filosofia e tornou-se uma guerrilha. Os realizadores da revolução marxista na Rússia, os primeiros propugnadores de uma práxis revolucionária segundo aquele modelo, concentraram-se apenas nos aspectos diretamente políticos e econômicos da teoria de Marx, gerando o mais terrível dos regimes jamais visto em toda a história humana.

Efetivamente, após causar terror e um mar de sangue, o comunismo perdeu popularidade. As mentes mais privilegiadas do movimento foram se dando conta de que aquela abordagem materialista era equivocada. E, antes de uma revisão da práxis revolucionária, iniciaram uma revisão da própria teoria. Viram que Marx não estava tão certo quanto eles mesmos pensavam..., foram regressando na genealogia das ideias e, por fim, redescobriram-se novamente na filosofia de Hegel, para a qual a história é uma auto-manifestação do “Absoluto” e, portanto, está de antemão justificada, assimilando o mal como força criativa para a construção do bem, que é sempre realização de Si. A ética se dá na dialética entre a subjetividade do Absoluto na consciência do indivíduo e a objetividade do Mesmo na história, na sociedade. Para ele, o que importa realmente é o fato de que a história como tal é uma auto-manifestação do Absoluto e, por isso, se auto-justifica moralmente. Redescobriram, assim, a ética-política hegeliana. Iniciou-se, então, a Escola de Frankfurt.

Enquanto os pensadores refletiam, os governantes guerreavam. Neste interregno entre as duas guerras, sucedido pela guerra fria, o comunismo enfraqueceu-se como regime, processo que culminou com a derrubada do muro de Berlim em 1989, dando início a uma revisão estratégica do movimento revolucionário. Não mais 

se usariam meios sangrentos e escandalosos, mas o mesmo objetivo poderia ser alcançado pela reformulação da sociedade mediante a desestruturação da família. Em outras palavras, a mesma “evolução” teórica de Marx foi feita por seus discípulos com quase um século de distância. O centro da questão é o papel da família na organização da sociedade.

IV.

É aqui que se encruzilham os caminhos. De um lado, os regimes comunistas sempre olharam com desconfiança as fundações internacionais subsidiadas pela elite globalista; de outro, esta, apesar de apreciar com simpatia o ímpeto da revolução socialista, há muito já trabalhava para desconstruir as famílias mediante as políticas de controle populacional.

Com efeito, é interessante observar que, já nos inícios do século XX, o esquema globalista tentava amestrar a sensibilidade das pessoas para o permissivismo moral, sem, no entanto, grandes sucessos visíveis. O processo foi lento, gradual, obstinado, paciente, até que pudesse explodir, na década 1960, uma verdadeira revolução cultural.

Os comunistas, por sua vez, com forte assepsia anticapitalista, se preservavam dos globalistas, encarando-os como inimigos. Eles não entendiam que ambos estavam no mesmo barco.

 Para quem não possui uma percepção histórica do problema, a identificação socialista com a agenda da revolução cultural hoje parece bastante evidente, e quase não se entende como tal passagem pode ter-se dado. Contudo, os regimes comunistas sempre foram moralmente muito intransigentes, machistas, opressores das mulheres, desprezadores das crianças, desrespeitadores da natureza, assassinos de homossexuais etc.

“Analisando as eleições municipais italianas na primavera de 1999, o antigo analista político italiano Ernesto Galli della Loggia, explicava no diário milanês Corriere della Sera que os votantes surpreenderam as expectativas jornalísticas. A classe trabalhadora não votou na esquerda, nos números que haviam sido previstos, ao passo que os comunistas e outros partidos de esquerda estavam atraindo um consistente grupo composto por ativistas gays, ecologistas, multiculturalistas e feministas e, em geral, de profissionais solteiros. (...) A autora de The Franch Communists, Annie Kriegel, nota que (...) nos anos 70, os membros do partido comunista eram praticamente todos (70%) homens, enquanto que as mulheres exerciam influência mínima no partido. Os comentários sobre as mulheres e a vida familiar que se ouviam no partido teriam sido plenamente adequados a uma reunião de prelados católicos pré-Vaticano II” (Paul Edward Gottfried, The strange death of the marxism. The European left in the new millennium, University Missouri Press, Columbia, 2005, pp. 1-2).

Como explicar esta mudança? De repente, a esquerda internacional começou a surfar na onda da revolução cultural perpetrada pelas fundações internacionais da elite globalista norte-americana...

Deixando de lado a complicada história das aproximações e distanciamentos destes dois sistemas, basta-nos dizer que, pelo menos desde o ano de 1993, estabeleceu-se claramente uma aliança de colaboração mútua, na qual os meta-capitalistas entravam com o apoio dos sistemas políticos e o movimento revolucionário entrava com a militância organizada num mesmo objetivo: realizar a reforma da sociedade mediante uma revolução cultural, tornando-se signatários de uma política internacional de controle populacional pela disseminação do aborto, do feminismo, do gayzismo, da ideologia de gênero etc., com a finalidade de subverter a ordem social, criando espaço para a sua hegemonia.

V.

Em poucas palavras, estamos lidando com as alianças mais absurdas e imprevistas, totalmente inimagináveis, quase impossíveis: as feministas e os gayzistas, se aliaram com os comunistas, que se aliançaram com os meta-capitalistas, que se tornaram financiadores das esquerdas etc. É uma realidade tão antitética que ofusca a nossa inteligência!

Como dizia anteriormente, afirmar que este conjunto é contraditório não nega o fato de que existam contradições na realidade, nem tampouco de que estamos diante de uma destas. Aliás, aqui, precisamos fazer o esforço de entendermos que, não obstante as próprias incongruências que os levaram a se perceberem antagonicamente inconciliáveis e lhes dificultaram a apreensão de uma via comum, estes grupos descobriram um rio cársico que lhes unira: descobriram o DNA da sociedade, aquilo que lhes permite alterar a constituição dela mesma, entenderam que a família é o elemento aglutinador da estrutura social e que dissolvê-la é o melhor método para vulnerabilizar os indivíduos, manipulá-los e torná-los instrumentos de dominação e escravização.

Quis apresentar este quadro para tentar indicar a imensidão do gigante que nos está combatendo. No entanto, mais interessante ainda é entendermos a multiplicidade de tentáculos de que se serve para conduzir a sociedade na direção de seus planos.

David RockfellerJá em 1946, na Inglaterra, foi fundado o Travistock Institut, através de uma doação da Fundação Rockefeller, por um grupo de personalidades importantes da Tavistock Clinic. Este instituto se destinava exclusivamente à pesquisas rigorosíssimas de técnicas destinadas à chamada engenharia social, para o controle das massas.

Tais estudos visam não a doutrinação pessoal, mas a mudança comportamental sem assimilação intelectual, apenas por indução psíquica. Deste modo, foram criando técnicas para o controle mental da população.

Por exemplo, chegaram à conclusão de que uma experiência altera uma convicção e, por isso, é necessário fazer a pessoa trair a si mesma, pois, necessitando aliviar-se do sofrimento causado por sua própria incoerência, o sujeito passa a auto-justificar-se justificando a conduta anterior, que considerava inaceitável até que ele mesmo a reproduzisse.

Outras experiências: de apresentar uma proposta inaceitável e, logo em seguida, outra razoável à qual originalmente se queria propor, mas que, se apresentada diretamente, seria refutada; submeter as pessoas a dois sentimentos contraditórios, o que as paralisa; convencer repetidamente de uma coisa e, depois, desenganar, pelo que as pessoas continuam a crer na mentira.

Ademais, outro caminho amplamente utilizado é o de “produzirem” legislações anti-vida e anti-família na nação. Há décadas, organizações se dedicam compulsivamente, estudam meticulosamente, criam micro e macro estratégias para irem laceando a cultura e a legislação.

Estes organismos, porém, trabalham na surdina. Manipulam cenários políticos, são subsidiados por iniciativas privadas nacionais e estrangeiras (portanto, são, também, um meio de vida), para conspirarem contra a vontade do povo. Num estado democrático as questões devem ser discutidas claramente, sobre a mesa, à luz do dia, noticiadas, pensadas, ponderadas, contrapostas, até que se chegue a um consenso que permita alterar, sempre de acordo com o bem comum, alguma lei específica.

VI.

Efetivamente, o monstro é grande, mas é artificial, não se sintetiza com a nossa natureza humana; é capaz de criar grandes males, mas possui uma fragilidade, tem os pés de barro e, para revertermos o processo, precisamos apenas identificá-lo e trabalhar muito para que ceda.

Na realidade, a força destes grupos reside naquilo que a alemã Elisabeth Noëlle-Neumann chama de espiral do silêncio, ou seja, no auto-amordaçamento induzido, um processo no qual o abuso é legitimizado pelo ambiente de silêncio que inibe as vítimas para que não reajam e se habituem a calar-se diante de seus agressores até o ponto de reconhecê-los como legítimas autoridades morais, culpando-se pela agressão que sofrem e impedindo-se a si mesmas de reagirem (cf. Olavo De Carvalho, Plebiscito em Copacabana, em “Diário do Comércio”, 5.08.2013). 

Por isso, precisamos romper a espiral do silêncio trazendo à ordem do dia aquilo que estes grupos querem silenciar para, beneficiando-se do silêncio, paralisar qualquer resistência. Trazer à tona estes temas é de vital importância.

Sem dúvida alguma, os processos de engenharia social tem um efeito hipnotizante até quando são flagrados. No momento em que os manipulados se dão conta de que o estão sendo, acordam da indução. Este é o único meio de desativar as pessoas destes mecanismos de controle.

Hoje, talvez, mais do que de uma pregação moral, sempre necessária e indispensável, nossos contemporâneos precisam “voltar à terra”, deixar os comportamentos massificados, assumir a responsabilidade de orientarem racionalmente a própria conduta, sanear-se da hiperatividade alucinante à qual a requisição eletrônica os vicia, parar e pensar, construir a própria existência de acordo com a dignidade intelectual que Deus lhes concedeu. Em poucas palavras, pelo processo de conscientização, podemos desativar pessoas.

Num mundo apático, que vive de costas para Deus e para a religião, que resolveu distrair-se dos temas mais importantes e encerrar-se num pensiero debole, a mobilização de numerosas famílias pode ser um despertador das consciências. No Brasil, ainda temos uma população que tem horror a este tipo de proposta. Se não capitalizarmos agora isso em nosso favor, perderemos uma força popular que pode ser irrecuperável, sobretudo com o sistema educacional corruptor que temos em funcionamento atualmente.

Ademais, trazendo à luz as manobras escondidas para a implantação de legislações iníquas, contrárias à consciência do povo, promovemos a participação cidadã de toda a população. Precisamos possibilitar a ampla discussão de temas que se querem reservar a uns iniciados, como se fossem pertinentes apenas à quem pertencesse a um restrito círculo gnóstico.

Em tempos nos quais o derrotismo impele tantos a “entregarem os pontos” de antemão, queremos lutar até o fim pela vida e pelas famílias de nossa nação, pois sabemos que é do respeito integral à vida e da saúde das famílias que depende a saúde do Brasil.

Pe. Dr. José Eduardo de Oliveira e Silva

São Paulo, 5 de Novembro de 2013


 Doutor em TEOLOGIA MORAL pela PONTIFICIA UNIVERSITÀ DELLA SANTA CROCE, Itália
Professor da Graduação do Centro Universitário Salesiano São Paulo , Brasil
Professor da Universidade Sao Bento na cidade de Sao Paulo
Pároco na diocese de Osasco
Membro do movimento pró-vida